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Cultura

Temporada de barraquinhas começa em Anápolis

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As tradicionais festas juninas começam em Anápolis e já na primeira semana de junho a população tem muitas opções para apreciar as comidas típicas, música e brincadeiras.

Na última sexta-feira (31. Mai) a paróquia São Francisco de Assis, localizada no bairro Jundiaí em Anápolis, deu inicio a festa em louvor a Santo Antônio. A festividade que será realizada até o dia 16 de junho, e conta com programações religiosas, brincadeiras para crianças, shows musicais, além das tradicionais barraquinhas de comidas típicas.

A igreja São João Evangelista, bairro Jundiaí Industrial, também já tem programação para junho. As barraquinhas de comidas típicas já começaram no último sábado (1. Junho) e acontece até o próximo dia 9 deste mês.

Além das festas religiosas, a tradicional festa junina do Clube Mach 2, no Bairro Anápolis City, já está com data marcada para o próximo final de semana, na sexta-feira e sábado (7 e 8 de junho). Mais informações pelo telefone: 3701-3484.

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Cultura

Iphan quer forró como patrimônio imaterial

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O forró pode ser declarado como patrimônio imaterial do Brasil até meados de 2020. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) iniciou pesquisa nos nove estados do Nordeste, mais o Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo para identificar a forma de expressão que além de gêneros musicais diz respeito a festas e interações sociais ao som da sanfona, zabumba e do triângulo.

A iniciativa foi bem acolhida entre os músicos como o maestro Marcos Farias, filho da cantora Marinês (1935-2007) e afilhado de Luiz Gonzaga (1912-1989), o Rei do Baião. Segundo ele, muitos grupos e artistas que se denominam “de forró” fazem adaptações de cumbia e zouk (de países hispânicos sul-americanos e caribenhos).

“Tiraram o nosso nome. A gente foi usurpado do título e jogado para essas músicas de características latinas”, reclama. Conforme Farias, o que ocorre é “apropriação indevida”, e esses grupos fazem “oxente music”, brinca.

De acordo com Hermano Queiroz, diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, o trabalho de registro do forró permitirá “mapear as vulnerabilidades, os riscos, a necessidade de promoção do bem”. Ele, no entanto, assinala que “o objetivo do registro não é dar autenticidade a uma narrativa”, e ressalta que há várias narrativas em circulação: “o patrimônio cultural é dinâmico”, explica.

Segundo Queiroz, não é preocupação central saber exatamente em que lugar teria surgido o forró. “A raiz não é o grande problema. O que o registro traz é o potencial de diálogo intercultural entre diversas manifestações”, crê. Ele assinala que a pesquisa do Iphan vai “mapear todos olhares e narrativas sobre esse bem imaterial’ e permitir que músicos de diferentes lugares se conheçam e passem a “ter a compreensão de que embora espraiados em todo o território cultural são irmãos”.

For all ou forrobodó

Desde a origem do nome, há mais de uma narrativa sobre a palavra forró. Conforme o maestro Marcos Farias, o compositor e instrumentista Sivuca (1930-2006) defendia a tese de que a palavra tem como origem a expressão em inglês de “for all”.

O termo teria sido forjado ainda no século 19 por causa da presença de trabalhadores ingleses na instalação de ferrovias e de fábricas de tecelagem no Nordeste. “Se produzia mais algodão em Campina Grande que em Liverpool”, costumava explicar Sivuca, segundo o maestro.

A versão da origem anglófila da palavra forró foi atualizada no século 20. Há quem diga que o termo teria surgido na 2ª Guerra Mundial em Natal. A capital do Rio Grande Norte recebeu 10 mil soldados norte-americanos a época do conflito. Essa versão é ilustrada no filme For All – O Trampolim da Vitória (1997), de Buza Ferraz e Luiz Carlos Lacerda.

O etnomusicólogo Carlos Sandroni, professor do Departamento de Música da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e responsável pela pesquisa do Iphan, descarta essa versão. Segundo ele, desde o século 19 há uso da palavra forró “para designar uma festa popular com dança, com música e com bebida”.

O especialista também lembra que “edição de dicionário de 1912 tem a palavra forrobodó. Na edição do ano seguinte, já tem forrobodó e forró. Ao que tudo indica forró é uma abreviação de forrobodó”. Conforme o filólogo Evanildo Bechara, forrobodó é originado da palavra galega forbodó.

Além da filologia, geografia e história da música descartariam a formação da palavra forró a partir da expressão inglesa for all. Sandroni tem como hipótese que o forró nasce longe do litoral de Natal. As matrizes originais estariam no interior do Nordeste, em uma área hoje tida como o sertão de Pernambuco, Paraíba e Ceará.

Rei do Baião e o balaio de gêneros

Sandroni também defende que “o forró se tornou uma expressão do povo do Nordeste, de uma maneira de se identificar como nordestino, que se afirma por suas características, por seu valor, por sua identidade”.

“Aos poucos a palavra forró vai se deslocando para designar não só um gênero [de música e festividade] especificamente, mas um guarda-chuva para vários gêneros como o xote, o xaxado, o arrasta-pé, a quadrilha, e o próprio forró”, descreve.

No “balaio de gêneros do forró”, apontado por Sandroni, tem destaque o baião criado por Luiz Gonzaga. O especialista lembra do papel fundamental Gonzagão a partir dos anos 1940 no rádio para a afirmação da cultura nordestina “O baião é uma empreitada consciente do Luiz Gonzaga com os seus parceiros, Humberto Teixeira [1915-197], José Dantas [1921-1962] e outros nessa etapa inicial”.

O maestro Marcos Farias concorda com o etnomusicólogo quanto à centralidade de Gonzagão. “Ele veio trazendo as nossas músicas, o baião, o forró que não existiam. Foi ele que denominou. Ele adaptou e nacionalizou o que hoje é nosso de verdade. Foi a grande voz a alma do povo nordestino. Ele trouxe as nossas alegrias, as nossas frustrações. Trouxe as nossas comidas, trejeitos, trouxe o nosso jeito alegre de levar a vida e fazer as coisas acontecerem”.

Farias conta que até a disposição dos músicos nos palcos de forró é ideia de Gonzagão. “Os baixos da sanfona são graves, então os agudos do triângulo têm que ficar do lado. Ao lado da mão direita, que faz o solo e que é agudo, tem que ficar a zabumba que é grave e, assim, contrabalancear. Ele era minucioso com isso”, detalha.

Conforme Sandroni, os três instrumentos têm origem europeia. “Isso quer dizer que é uma música europeia? Claro que não. A música é muito mais que os instrumentos, é o que se faz com os instrumentos”, pondera.

Segundo ele, “Sanfona é um instrumento evidentemente europeu”. O mesmo pode dizer da zabumba ainda que o senso comum identifique como um tambor africano. “O tipo de construção e de amarração você encontra inclusive na península ibérica”, assinala. O mesmo ocorre com o triângulo, “conhecido como ferrinho em Portugal”.

Antes do Forró, outras formas de expressão musical obtiveram o reconhecimento do Iphan como patrimônio imaterial e constam no Livro do Registro das Formas de Expressão como o caboclinho, a capoeira, o carimbo, o cavalo marinho, o frevo, o jongo, o marabaixo, o maracatu, o samba de partido alto, o samba de terreiro, o samba enredo, o samba de roda, o tambor de criola e os toques dos sinos de igrejas em centros históricos de Minas Gerais.


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Cultura

Professora escreve livro sobre princesa guerreira quilombola

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A procura por uma literatura infantojuvenil que tivesse referências na cultura negra para a filha Sara, de 3 anos, levou a professora Sinara Rúbia a criar a princesa Alafiá. A princesa Alafiá ganhou corpo durante a elaboração da monografia de Sinara no curso de letras, na Universidade Estácio de Sá (Unesa), em Petrópolis (RJ), virou conto e um livro que traz histórias da guerreira e quilombola imaginada em 2003, quando a professora se preocupava com a construção da identidade da filha, uma menina negra que crescia e precisava ter referências tanto em filmes, como nas bonecas e em narrativas.

“[Em 2003] foi quando eu me deparei com este tema, comecei a procurar personagens e referenciais dentro da literatura. Entendi a escassez e praticamente ausência de personagens negros com referenciais positivos e saudáveis. Quando tinha, eram sempre estereotipados e narrados de uma outra forma a partir do racismo”, disse.

Para a monografia, em 2005, Sinara entrevistou meninas negras de 5 a 12 anos de escolas da rede pública de Petrópolis e concluiu que a literatura infantil só com personagens brancos dos contos de fadas impactava a construção da identidade das crianças negras. Segundo a professora, com as entrevistas, ela percebeu que com essa ausência, somada a outros mecanismos de imagens como a televisão, as bonecas e os brinquedos, a literatura legitimava a presença desqualificada que contribuía no processo de branqueamento e negação negra. 

“Quando perguntava para elas se pudessem mudar alguma coisa na personagem que mais gostavam ou preferiam, era perceptível que preferiam algo próximo ao biotipo físico delas. Havia a motivação para que elas se identificassem com as personagens, porém, para elas não as representava e contribuía para a negação dessa não condição de negro”, disse.

Hoje, Sinara administra cursos de contação de história negra e de literatura infantojuvenil. Ao longo dos anos, ela percebeu que era uma das poucas pessoas que fazia este tipo de trabalho, incluindo a aplicação da Lei 10.639, que trata da obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino público e privado. “A literatura infantojuvenil vem crescendo, a gente vem tendo um número de pessoas interessadas nessas narrativas. Infelizmente ainda tem quem esteja mais voltado para o mercado e repete estereótipos, apesar de colocar a criança negra”.

Conto virou livro

O conto, escrito em 2007, após a conclusão da monografia, se transformou em livro que foi lançado, no dia 15, no Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá. “Essa história surgiu por conta do resultado da minha monografia e segue a mesma estética dos contos de fada. Tem a aventura, só que a minha princesa é uma princesa negra, que foi escravizada, se tornou guerreira e quilombola, que resistiu à escravidão com resiliência. Tem a questão do amor também, mas não é com um homem que resolve todos os problemas e leva ela para viver submersa em um castelo. É uma princesa que casa e se apaixona pelo chefe do quilombo, inspirada na trajetória das mulheres negras do Brasil”, indicou.

O livro, segundo Sinara, foi a forma de ampliar o universo da princesa Alafiá, que até ali ficava restrita aos momentos de contação de história de que participava. “Resolvi colocar a história no libro, para ela, além da minha voz na contação de história e do meu trabalho, circular com uma abrangência maior da proposta que fala de mulher, de empoderamento feminino, da história do negro no Brasil e da história do Brasil em uma outra perspectiva da literatura infantojuvenil”, disse.

Estreia tripla

A escritora disse que entre as editoras brasileiras, cerca de 10 fazem um trabalho específico de literatura infantojuvenil voltada para a cultura negra. O livro foi publicado pela Editora Nia Produções Literárias, de Tatiane Oliveira e ilustrado pela artista plástica Valeria Felipe. Foi uma estreia para as três. Tatiane tem uma livraria itinerante que leva a diversos eventos e Valeria, embora tenha muitos trabalhos de pintura, nunca tinha se dedicado à ilustração de livros.

A artista plástica explica que para fazer o trabalho precisou estudar um pouco a história de negros escravizados, como a princesa Alafiá, que pertencia ao antigo reino de Daomé e chegou ao Brasil em navios durante o período de colonização portuguesa. 

“A experiência de ilustrar é mais um resgate para mim também como referência, até porque eu sou preta. No meu tempo de escola não tive história de cultura preta. Fui pesquisar a história. Tive que entender o que aconteceu em Daomé e porque hoje é Benin, quem foi o povo que invadiu lá e quem morou ali. Passei a ter um resgate da história que não vivi quando criança”, disse Valeria.

Os interessados na compra de um exemplar podem acessar o perfil no Facebook da editora. “Estou trabalhando há três anos como livraria de literatura infantojuvenil e agora lancei meu primeiro livro como editora, com três mulheres estreantes”, disse Tatiane.

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Cultura

Mostra traz peças de tecido feitas há mais de 2 mil anos nos Andes

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Mais de 2 mil anos de história podem ser vistos nas 143 peças de tecidos andinos em exposição no Museu de Arte de São Paulo (Masp), no centro da capital paulista. São túnicas, toucas e bonecas de pano, além de diversos adornos produzidos pelos povos pré-hispânicos que habitaram a costa da região onde atualmente estão a Bolívia e o Peru.

Retratando figuras humanas e também padrões geométricos, as peças das culturas Paracas, da costa sul peruana, ainda mostram tons fortes de rosa, azul, verde e dourado. São itens manufaturados entre os anos 800 e 200 antes de Cristo, atravessando mais de dois milênios sem traços aparentes da ação do tempo.

Preservados pelo clima e qualidade

A preservação desses artefatos explica-se, em parte, pelo clima da região. “Eles vêm de contextos arqueológicos do árido, da costa extremamente árida, sobretudo da costa sul do Peru”, enfatiza a curadora da mostra, Márcia Arcuri.

Ela destaca a grande qualidade técnica na produção das peças, que chegam a ter tramas de 600 fios. “Isso, evidentemente ajudou na preservação dos pigmentos e do próprio tecido.”

Os trabalhos feitos em algodão ou lã, extraída de lhamas ou alpacas, foram usados por governantes e pessoas que faziam parte da elite da sociedade da época.

Um dos indícios disso é a própria qualidade das vestimentas e adornos, outro é o fato de terem sido encontrados em tumbas. “Como se trata de uma coleção de tecidos bastante elaborados e bem preservados, de técnicas extremamente sofisticadas, do ponto de vista de toda a iconografia, as cores, os desenhos que aparecem na arte desses tecidos, parecem ser peças de prestígio”, diz a curadora.

Fauna e cosmologia

Os desenhos e padrões refletem tanto a fauna de cada região, quanto as visões sobre o mundo natural e sobrenatural das sociedades que viveram na América antes da invasão europeia do século 16.

Em meio a tons terrosos de marrom e avermelhados, os tecidos Huari, por exemplo, trazem algumas formas de representação de peixes. Em uma peça, são pequenos e repetidos em um padrão, com um olho figurativamente desproporcional; em outras, têm duas cabeças, e a espinha exposta toma toda a extensão do pano. “Os tecidos da costa tendem a trazer aves, como o pássaro mergulhão, e muitos peixes.”

Assim, a diversidade da fauna traz também um pouco das diferenças de interesses e modos de vida. Aparecem serpentes, macacos, lhamas e pelicanos. Em alguns casos, os animais têm duas cabeças. Esse espelhamento pode ser, em outras peças, a chave para entender desenhos aparentemente abstratos, como nos padrões em que surge apenas uma parte da chakana, figura também conhecida como cruz andina. Nesses padrões, o desenho completo só pode ser visto em uma extrapolação, duplicando e invertendo aquilo que aparece visível.

Segundo a curadora, o uso da chakana mostra como mesmo a aparente abstração na decoração pode ter significados bem específicos. “Tudo que a gente pode entender por uma estilização, ou um abstracionismo, não é da mesma ordem do mundo contemporâneo”, afirma. No caso da cruz andina, trata-se de um símbolo de como algumas culturas enxergam a divisão entre o mundo natural – relacionado ao relevo da montanha – e o sobrenatural, ligado ao oceano profundo. É também uma forma de apresentar o conceito de presente e passado, como se todos estivessem conectados.

Cultura sobrevivente

Exposição Comodato MASP Landmann – Têxteis pré-colombianos, mostra organizada pela arqueóloga e historiadora Marcia Arcuri, no Masp, em São Paulo.

Os trabalhos em tecido são uma expressão tão importante nas culturas andinas, que, de acordo com Márcia, sobrevivem até hoje como tradição nas comunidades da região. As técnicas são passadas de geração em geração entre as mulheres que vivem nessas localidades. “É uma forma que elas, que vivem na serra entre o Peru e a Bolívia, encontram de manter a sua forma de viver e lidar com o mundo contemporâneo ocidentalizado.”

As peças em exposição foram reunidas por Oscar Landmann a partir da década de 1930. A coleção foi cedida em regime de comodato para o Masp por um período de 10 anos. Segundo a curadora, desse modo, é agora uma das maiores coleções do gênero abertas ao público no Brasil, ainda mais depois da destruição do Museu Nacional do Rio de Janeiro em um incêndio em setembro do ano passado.

“Nós temos várias coleções particulares no Brasil, mas acervo público a gente conta apenas com o do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP [Universidade de São Paulo]. As coleções pré-colombianas de lá têm origem variada e são cerca de 900 peças no total”, detalhou. A coleção Landmann tem volume semelhante, se incluídas também outras formas de expressão, como a cerâmica.

A exposição de tecidos andinos antigos pode ser vista no Masp até o dia 28 de julho.

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