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Setores discutem implantação do 5G na Câmara dos Deputados

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Empresas de telecomunicações, emissoras de TV, entidades da sociedade civil e autoridades regulatórias discutiram a implantação da tecnologia 5G no país em audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados ,Em meio à falta de definições, o debate mostrou que o assunto ainda demanda a resolução de diversas polêmicas.

Um consenso entre os presentes foi o potencial transformador da introdução desta tecnologia. O presidente da fabricante de equipamentos eletrônicos Qualcomm no Brasil, Rafael Steinhauser, afirmou que o 5G já é uma realidade e vai ter impactos econômicos e sociais “estratégicos”, potencializando, por exemplo, o ambiente altamente conectado que vem sendo chamado de “Internet das Coisas”.

“A comercialização do 5G está mais rápida que a do 4G. Países reconheceram a importância vital que o 5G vai ter e todos se lançaram a colocar redes no ar. O 5G está sendo lançado em todos os países da Europa. O Brasil pode ter chance de ser dos primeiros ou dos últimos da América Latina a lançar. Vai depender de nós. No Brasil ainda nem temos definição exata de como será o processo licitatório e como será licitado o espectro. Sem ele não funciona, pois precisa de muita banda”, ressaltou o executivo da Qualcomm.

leilão de faixas de frequência para o 5G foi anunciado como uma das concessões do governo na última reunião do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), na semana passada. Entretanto, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ainda não definiu como o processo se dará.

Na audiência, a superintendente-executiva da Agência, Karla Ikuma, informou que uma proposta para o leilão foi entregue pela área técnica do órgão ao Conselho Diretor. Entre as medidas e obrigações às operadoras vencedoras do leilão, ela prevê atendimento com serviços móveis em tecnologia 4G ou superior em localidades não contemplados por esse padrão atualmente, além de meta de cobertura de 95% das áreas urbanas de cidades com menos de 30 mil habitantes, que atualmente não possuem obrigações de serviço móvel neste tipo de geração.

Outra exigência incluída pelos técnicos da Anatel é a ampliação das redes de transporte por meio da instalação de redes de backhaul (que fazem a conexão entre as grandes redes que cortam o país, os backbones e a oferta do serviço à casa dos usuários, a chamada “última milha”) em fibra ótica de alta capacidade. O relator da matéria na Agência apresentou seu voto no Conselho Diretor, mas outro conselheiro pediu vistas do processo. O encaminhamento do leilão depende, assim, da apresentação desta análise e da votação pelo colegiado.

5G x parabólicas

Uma das polêmicas foi posta pelo representante da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel), Wender Souza. Segundo ele, testes mostraram que o uso de uma das faixas de frequência utilizadas para o 5G, a de 3,5 GHz, gera interferência nos serviços de televisão parabólica (chamados tecnicamente de TVRO). Estes estão em 22,1 milhões de lares em todo o Brasil, especialmente nos rincões do país, onde geradoras de TV de redes de televisão não chegam.

“O problema da vez para dar segurança ao leilão é o que fazer com a TVRO. Precisamos dar uma solução definitiva. Defendemos tirar toda a base receptora da televisão doméstica da banda C [onde é transmitida atualmente e sofreria interferência do 5G] e migrar para banda Ku. Além disso, que sejam distribuídos kits de recepção para a banda ku para população do cadastro único”, propôs o executivo da Abratel.

O diretor de relações internacionais da Ericssson, Tiago Machado, argumentou que outros testes apontaram a possibilidade de convivência entre os dois serviços. De acordo com ele, não haveria risco pois a faixa de 3,5 GHz seria usada no 5G nas áreas urbanas, enquanto o serviço de recepção em parabólica seria sobretudo no interior. “A TVRO seguirá existindo. Outras frequências serão usadas para o campo. Não haverá impacto no serviço de radiodifusão pelo 5G”, comentou Machado.

Disputa geopolítica

Outra polêmica em relação ao leilão brasileiro apareceu de forma tangencial no debate: as medidas restritivas do governo dos Estados Unidos contra a fabricante chinesa Huawei alegando possíveis riscos de atuação do governo chinês por meio destas e a possível pressão para que países aliados, como o Brasil, não adotem tecnologias desta companhia na construção de redes 5G. Deputados perguntaram sobre possíveis riscos decorrentes da participação da Huwaei nessas infraestruturas.

O diretor de governo e relações públicas da empresa no Brasil, Atílio Runi, respondeu afirmando que o grupo é “100% privado”, sem entrar em mais detalhes. Ele ponderou que a Huwaei não participa de leilões, mas fornece equipamentos para as operadoras de telecomunicações. O que já ocorre atualmente com parte das companhias do setor atuando no país.

Citando o estudioso de Tecnologias da Informação e Comunicação, Nicholas Negroponte, Runi declarou que “a política pública [de implantação do 5G] deve ser baseada em padrões objetivos, e não por motivações geopolíticas”, buscando afastar suspeitas sobre eventuais riscos da participação nas redes a serem construídas aqui.

Tecnologia nacional

A coordenadora-executiva do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação, Marina Pita, apontou a necessidade de não discutir a implementação da tecnologia com base em fabricantes, mas aproveitando a oportunidade para promover o desenvolvimento da tecnologia nacional. Citando o caso da China, ela lembrou que o Brasil tem uma pauta de exportações focada em bens primários, enquanto importa muito mais bens manufaturados, como equipamentos eletrônicos.

“É importante o desenvolvimento de tecnologia nacional não só para soberania, mas também para economia nacional. Temos de olhar o que temos de componentes fabricados no Brasil e como pode ser fomentado um ecossistema garantindo que economia brasileira vai se beneficiar da melhor forma possível. O 5G traz benefícios econômicos, mas estes podem ser aumentados se houver investimento no desenvolvimento tecnológico nacional”, observou Marina Pita.

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Alunos realizam mostra tecnológica em comemoração ao primeiro ano da Happy Code Goiânia

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Comemorando o primeiro ano de existência, a escola de tecnologia Happy Code Goiânia abre as portas para o público para uma mostra de projetos desenvolvidos pelos alunos. A exposição ocorre no dia 14 de dezembro, das 10h às 12h, na sede da unidade, localizada na rua T-30, no Setor Bueno.

De acordo com o diretor de tecnologia, Nelson Marques, este dia, os alunos irão mostrar o que desenvolveram no último semestre. “O evento funcionará como uma exposição onde as pessoas poderão visitar e conhecer os trabalhos de todos. A entrada é gratuita”, explica ele.

A Happy Code chegou a Goiânia graças a um desejo do engenheiro de Controle e Automação, Nelson Marques, de montar uma escola ou curso que pudesse propiciar para as crianças o que ele não teve durante a infância: um espaço para criar, inovar, estar em contato com novas tecnologias. .

Foi então que viu numa reportagem sobre a Happy Code e se encantou pela proposta. Convidou a pedagoga Sabrina Lemos, que possui quase 20 anos de experiência, e juntos trouxeram a unidade para a capital goiana.

“Nosso maior sonho é que, no futuro, nossos alunos sejam capazes de criar soluções que vão impactar a vida de milhões pessoas”, destaca Sabrina.

Colônia de Férias

As férias estão chegando e muitos pais se preocupam em como ocupar as crianças, afinal o ócio aliado à falta de rotina pode causar um pequeno caos em casa. Pensando nisso, a Happy Code Goiânia está oferecendo uma Colônia de Férias Tecnológica. Serão duas edições uma de 16 a 20 dezembro e de 14 a 19 de janeiro.

As atividades são divididas em Academy de Games e ou Minecraft, com duração de 20 horas; Mega Academy, com duração de 30 horas e cinco cursos diferentes; Camp, que dura 6 horas, divididos em 4 dias da semana; e a modalidade Diária, que é um curso de 6 horas num só dia.

A modalidade Colônia de Férias, tem duração de 40 horas e de acordo com a diretora pedagógica da Happy Code, Sabrina Lemos, se assemelha a uma colônia de férias tradicional. “Iremos ter atividades tecnológicas e desplugadas. Os cursos oferecidos serão (Kids – 7 a 12) : Maker, Game, Youtuber, Minecraft (Jr – 5 e 6 anos – Dash and dot, Scratch e Minecraft). As atividades desplugadas serão variadas: oficinas de slime, pintura, pula pula e etc”, explica.

Na Colônia de Férias Tecnológicas os alunos vão receber lanche, almoço e uma camiseta da Happy Code. Entre os cursos oferecidos em todas as modalidades estão: Roblox, Minecraft, Maker, Youtuber, Aplicativo, Dash and Dot, Scratch. As inscrições dos cursos de férias podem ser feitas pelo link http://bit.ly/colonia_de_férias_gyn e o valor varia de acordo com a modalidade.

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Motorola Razr: empresa apresenta sucessor do V3 com tela dobrável

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A Motorola apresentou nesta quinta-feira (14. Nov), seu novo celular, que leva o nome de Razr. Sucessor do popular V3, que fez sucesso no começo dos anos 2000, o aparelho é a aposta da marca para entrar no mercado de telas dobráveis e competir com o Samsung Galaxy Fold e o Huawei Mate X.

Com preço surgerido de 1,5 mil dólares (cerca de R$ 6,5 mil) nos Estados Unidos, o celular deve chegar ao Brasil em janeiro de 2020.

Ao contrário dos aparelhos das outras marcas, que são dobráveis na horizontal e viram uma espécie de tablet quando são desobrados, a Motorola tentou montar um celular mais compacto, que se dobra na direção vertical, e que traga comodidade no bolso.

Com tela interativa, o Razr conta com um display externo de 2,6 polegadas sensível ao toque, lembrando a clássica tela do V3.

Apostando no design arrojado e que remete à nostalgia, as especificações técnicas do Razr estão entre celulares intermediários e os de ponta que estão disponíveis no mercado atualmente.

O processador Snapdragon 710 não é o mais potente da Qualcomm, os 6 GB de memória RAM e 128 GB de armazenamento estão longe de ser o padrão da indústria para celulares premium.

O Razr conta com somente duas câmeras, uma principal de 16 megapixels e outra frontal de 5 megapixels, que também são superados por outros concorrentes. Destaque fica com a câmera principal podendo ser utilizada para selfies quando o aparelho estiver dobrado. O celular vem com o sistema operacional Android 9 Pie e bateria de 2.510 mAh, com o carregador Turbo Power que é padrão nos aparelhos da Motorola.

Ele não terá resistência à água, mas a companhia afirma em seu site oficial que ele conta com uma proteção repelente na sua face externa para protegê-lo de gotas e eventuais espirros de chuva.

O mercado já esperava desde o primeiro semestre deste ano que a Motorola fosse apostar em um celular com tela flexível e uma série de vazamentos, o maior deles no fim de outubro, pelo jornalista norte-americano Evan Blass, confirmou as especulações.

Celulares flexíveis são a próxima aposta da indústria de celulares, mas ela esbarra em problemas: a sul-coreana Samsung teve uma série de problemas com a resistência da tela do Galaxy Fold, o que adiou o lançamento do Mate X pela Huawei.

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Internet completa 50 anos cercada de polêmicas

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A cada minuto, 188 milhões de e-mails são enviados, 41 milhões de mensagens de textos são trocadas pelo WhatsApp e FB Messenger, 4,5 milhões de vídeos são vistos no YouTube, 3,8 milhões de buscas são realizadas no Google, 2 milhões de snaps são publicados, 1,4 milhão de perfis são vistos no Tinder, 1 milhão de pessoas se conectam ao Facebook, 390 mil aplicativos são baixados de lojas como Play Store e App Store (Apple) e 87,5 mil pessoas tuítam.

Cerca de 57% da população mundial está conectada, um total de 4,3 bilhões de pessoas, e 45% dos habitantes do planeta usam redes sociais, cerca de 3,5 bilhões de pessoas, conforme o relatório Digital 2019, da empresa We Are Social. Somente o Facebook tem 2,4 bilhões de usuários, enquanto o Google chega a 2,4 bilhões de internautas com o sistema operacional Android e a 2 bilhões com sua plataforma de vídeo YouTube.

Esse cenário é resultado de uma história que completou 50 anos na semana passada. No dia 29 de outubro de 1969, um pacote de dados foi transmitido entre computadores de duas universidades diferentes na Califórnia, Estados Unidos. A inovação foi produto de pesquisas feitas por acadêmicos sob os auspícios de uma agência militar do governo daquele país, que criou uma rede denominada Arpanet. Anos depois, em 1973, Vinton Cerf e Robert Khan criaram o protocolo TCP/IP, que seria a base do transporte de informações na rede.

A década de 1980 marcou a introdução de diversas tecnologias fundamentais relacionada à internet no mercado. Foi a fase de difusão de computadores pessoais e portáteis, de roteadores que permitiam a conexão entre diferentes redes e de telefones celulares, que nas décadas seguintes seriam terminais essenciais para a difusão da rede.

Os anos 1990 consolidaram a internet como se conhece. Em 1991, o centro de pesquisas Cern desenvolveu o modelo da World Wide Web (Rede Mundial de Computadores), calcado no protocolo de transferência de hipertexto (HTTP), a linguagem de marcação de hipertextos (HTML) e na organização de conteúdos em páginas, visíveis por meio de um programa chamado de navegador e acessível por um endereço.

Durante a década, a internet passou a se expandir em diversos países, ganhando diferentes modalidades de conteúdos, bens e serviços, inclusive o comércio eletrônico. Na primeira fase, a relação com os usuários se dá fundamentalmente no acesso a textos, imagens e vídeos em sites. Em 1996, começa a funcionar o serviço de voz sobre IP, permitindo chamadas de voz por outro meio que não telefones fixos ou móveis. Em 1998, é lançado o mecanismo de busca Google.

Na década seguinte, outros tipos de serviços de informação e comunicação ganhariam popularidade. É o caso das redes sociais, com o Friendster, em 2002, o Linkedin, em 2003, e o Facebook, em 2004. No ano seguinte, o audiovisual online ganha impulso com a criação do YouTube, que viria a se tornar a maior plataforma de publicação e consumo de vídeos do planeta. A facilidade de publicação de conteúdo e a participação em redes sociais e fóruns motivou a ideia de uma web 2.0, marcada pela participação e pelo caráter social.

A década de 2010 trouxe a difusão global da internet, a ampliação da sua base de usuários e a consolidação desses grandes agentes, alcançando bilhões de pessoas. O smartphone torna-se o equipamento eletrônico mais difundido do mundo e puxa a expansão e novas formas de conectividade ininterrupta e ubíqua, bem como o acesso a serviços não mais por sites, mas por aplicativos, ou Apps.

Também foi na década atual que diversos problemas eclodiram e puseram em questão a situação da internet. Um dos marcos foram as denúncias do ex-trabalhador da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden sobre a existência de práticas de espionagem em grande escala por alguns governos, entre os quais o do seu país, em colaboração com grandes empresas de tecnologia. Em 2017, veio à tona o escândalo da empresa de marketing digital Cambridge Analytica, suspeita de ter usado dados de quase 100 milhões de usuários para influenciar processos políticos, como as eleições nos Estados Unidos e o referendo do Brexit em 2016, além de pleitos em diversos outros países.

O conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e responsável pela primeira conexão TCP/IP no país, Demi Getschko, diz que é preciso separar a internet como estrutura tecnológica das atividades realizadas sobre esta. Os problemas de abuso na exploração de dados e excessos envolvendo o debate público online não estariam relacionados à internet, mas ao que é realizado a partir dela.

“Uma coisa é ter uma estrutura em que, sem fronteiras físicas, sem permissão, nada além da adesão voluntária, consegue montar um tecido mundial, que é o que foi conseguido com a internet. Dentre diversas opções que existiam nas décadas de 1970 e 1980, a internet foi bem-sucedida. Pessoal envolvido teve mente aberta e estrutura sólida, e não voltada a nada fechado. Não tem centro de controle. Ela foi construída com esse propósito”, observa.

Na opinião da coordenadora de Políticas para América Latina da organização Internacional Eletronic Frontier Foundation, Veridiana Alimonti, se, por um lado, a rede mundial proporcionou novas formas de produção e difusão de conhecimento, permitindo a expressão de narrativas sem espaço nos meios de comunicação tradicionais, por outro, também abriu espaço para práticas prejudiciais.

“De fato, passamos de um momento de euforia com a internet e as tecnologias digitais de informação e comunicação para uma compreensão mais crítica de que elas também podem servir para a potencialização da discriminação, de grandes assimetrias de poder e da vigilância sobre cada detalhe das nossas vidas”, ressalta.

Para o coordenador de Políticas Públicas para América Latina da entidade internacional Accessnow, Javier Pallero, os problemas que ganharam visibilidade nos últimos anos estão relacionados à ampliação da presença de pessoas no ambiente virtual. A internet deixou de ser um espaço apenas ocupado por usuários mais ricos ou por elites universitárias para se transformar em um cenário mais próximo da sociedade, refletindo também conflitos e comportamentos problemáticos.

As empresas de redes sociais, acrescenta Pallero, calcaram seus negócios nessa nova lógica de circulação de conteúdos, favorecendo o que gerasse mais engajamento. “Por causa das fraquezas humanas, há uma atenção para coisas como notícias falsas e sensacionalismo, além do fato de as pessoas quererem ser notadas. As companhias de redes sociais tiraram vantagens dessas limitações culturais e educacionais, talvez propositalmente.”.

O professor da Universidade Federal do ABC e integrante do CGI.br Sérgio Amadeu identifica nesse processo o que chama de três crises atuais da internet. A primeira envolve o caráter distribuído da rede, que não necessariamente é democrático e pode ser usado para disseminar vigilância e comportamentos autoritários. A segunda crise está relacionada com o livre fluxo de dados, capturado por grandes corporações e controlado muitas vezes fora da capacidade de fiscalização e regulação dos Estados nacionais.

A terceira crise abarca o modelo de participação, que, ao dar espaço para um contingente maior, incluiu usuários contrários às liberdades e direitos de participação política. “Pensamos que, pelo fato de a internet permitir participação ampla, as pessoas defenderiam a liberdade de participação. Mas vários grupos neofascistas e autoritários usam a rede para destruir o ideal de participação”, diz Amadeu.

Futuro

Segundo o criador do protocolo TCP/IP e hoje vice-presidente de “evangelização da internet” do Google, Vint Cerf, a rede mundial de computadores caminha para ser “totalmente natural”, utilizada pelos indivíduos sem pensar nela. Cerf diz acreditar que haverá melhora geral tanto nos índices de conectividade quanto nas velocidades, com ampliação do 5G e das redes de fibra ótica.

“Bilhões de aparelhos conectados em rede terão capacidade ainda maior de interatividade para voz, gestos e sistemas de inteligência artificial. Vejo também a expansão da internet interplanetária – quem sabe? Uma coisa é certa: depois de todas as conquistas dos últimos 50 anos, as possibilidades são infinitas”, afirmou, em texto publicado em blog no Google.

Demi Getschko vai em sentido similar e considera que a “naturalização da internet” tende a seguir dinâmica semelhante à da eletricidade, tornando-se tão presente que fique quase imperceptível. No tocante a tentativas de regulação por governos diante dos problemas no ambiente virtual, que vêm se multiplicando nos últimos anos, o conselheiro do CGI lembra que há dificuldades em razão do caráter “sem fronteiras” da rede.

“A internet não tem um país, mas comunidades. É preciso que ver formas de combater ilícitos, que nem sempre são os mesmos nas legislações. Estamos em uma situação em que muitos paradigmas mudam. Temos tendência de ficar muito ansiosos e de tentar remendar. A internet é uma peneira de infinitos furos”, pondera.

Já o professor Sérgio Amadeu destaca que as respostas às crises da internet dependem de medidas concretas, como regular as grandes plataformas digitais. “Não dá para aceitar que elas atuem da forma como atuam, muitas vezes censurando conteúdos do nosso país. E corporações não vão abandonar sua lucratividade. Além da regulação, é preciso esta batalha pela ética, por termos de conduta a partir de debates amplos na sociedade”, defende.

Javier Pallero acredita que o Estado tem papel central, por ser o único com poder de garantir o respeito a direitos humanos no ambiente virtual. Ele ressalta que aí há uma responsabilidade de governos democráticos em fortalecer as práticas democráticas na rede, assegurando regras transparentes e justas e não contribuindo para práticas como a censura de conteúdos.

Outra dimensão, acrescenta Pallero, é qualificar a formação do cidadão para “ser um pensador crítico da internet em um mundo dirigido pela tecnologia e com uma grande dependência disso”.


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