Conecte-se

Saúde

Santa Casa: pacientes sofrem o pior lado da crise

Publicado

em

A dona de casa Divani Morais, 45 anos, acompanha o dia a dia do seu pai internado há 30 dias na Santa Casa de Misericórdia de Anápolis. “Ele tem 84 anos, não pode ficar sem oxigênio então os médicos não podem liberá-lo. Não temos o que reclamar, os funcionários são muito atenciosos”, falou.

Na porta do hospital acompanhada da filha e do neto, Divani vai todos os dias à Santa Casa ver de perto os atendimentos e tenta conseguir a liberação para a instalação do oxigênio em casa, onde o pai pode ficar mais perto da família.

Na terça-feira (14.Mai), a diretoria da Fundação de Assistência Social (Fasa) anunciou a paralisação dos serviços de Urgência Emergência devido ao déficit de mais de R$ 2 milhões da unidade com fornecedores.

“Fiquei apavorada com a notícia da paralisação porque ouvi dizer que poderiam cortar o fornecimento do oxigênio do pessoal que está internado. Se levar o meu pai para casa agora, ele morre”, lamentou Divani.

Edina Cristina Gonçalves

Um dia após as portas de Urgência e Emergência fecharem, Edina Cristina Gonçalves, 42 anos, foi à Santa Casa buscar alguns exames. Ela estava internada, uma semana antes, na unidade. “Se continuar assim vai ser um baque muito grande para a cidade, para todo mundo”, observou.

Na recepção foi bem recebida por alguns funcionários que não localizaram os exames. Dona Edina faz Hemodiálise e saiu dali atrás do seu médico para pedir orientação.

Elzi do Carmo Machado

Elzi do Carmo Machado há 50 anos mora na região da Santa Casa e lembra que os atendimentos médicos são referência.

“Como o pessoal vai sobreviver, as crianças e os idosos. Ontem uma mulher chegou aí passando mal, sentindo dores, e teve que voltar né, não tinha o que fazer, estava tudo fechado”, contou Elzi um dia após o fechamento dos atendimentos.

Além da crise na Saúde, Anápolis teve uma reação em cadeia. Os comerciantes viram o movimento cair de um dia para o outro.

Paulo César dos Santos

No dia15 de maio, a equipe do A1minuto conversou com o seu Paulo César dos Santos. Autônomo, ele ressaltou que os proprietários dos restaurantes da região pensaram em fechar também, até a situação se normalizar.

“Prejudica todo mundo, não só os atendimentos, mas o comércio ao lado da Santa Casa é prejudicado. Dependem do movimento para sobreviver. Estamos esperando o governo cumprir as promessas. Estamos esperando que volte tudo ao normal”, disse.

O farmacêutico Mabio Guerra comentou que havia rumores pela falta de recurso, mas não imaginava que poderia acontecer.

“Há seis anos tem tenho o meu comércio instalado na região da Santa Casa. É um atraso para Anápolis, para a saúde, estamos a mercê da política e desses recursos. Estamos na esperança que normalize, e volte os atendimentos com melhorias”, desabafou.

Promessas

No dia 14 de maio, o padre Clayton Bérgamo, provedor da Santa Casa afirmou que a falta de repasses do Governo de Goiás, cerca de R$ 2 milhões, inviabiliza o funcionamento do hospital.

No mesmo dia do anúncio da paralisação, a classe política se manifestou nas redes sociais. Todos seguiram a mesma linha de um plano de ação para salvar a Santa Casa da crise financeira.

O prefeito Roberto Naves (PTB) procurou Ronaldo Caiado (DEM) junto com o deputado estadual por Anápolis, Amilton Filho (SD), afirmando que a solução está a caminho.

Enquanto o contrato com o Governo de Goiás não é assinado, o poder público municipal anunciou a ampliação dos atendimentos dos postos de saúde dos setores do Recanto do Sol, Bairro de Lourdes irão ampliar o horário de funcionamento, passará de 17 horas, com pausa de duas horas de almoço para das 7 às 22 horas, sem pausa.

Os vereadores de Anápolis, durante sessão ordinária do dia 14 de maio, citaram a visita feita ao Secretário Estadual de Saúde, Ismael Alexandrino, em abril para pedir, entre outras demandas, a renovação urgente do contrato com a Santa Casa. O Governo de Goiás repassava, mensalmente, cerca de R$ 400 mil, valor que não chega ao município desde janeiro deste ano.

Crise nacional

Em janeiro de 2019, o Portal G1 publicou uma matéria sobre a grave crise que atinge centenas de Santas Casas pelo país. 

Em milhares de municípios brasileiros, a população só pode contar com os serviços de saúde de uma Santa Casa. Só que em muitas delas, a situação é crítica.

Em São Paulo, muita gente vai em busca de alívio na Santa Casa. Cerca de 45 mil pessoas por mês. “É onde tem para correr. Onde tem para correr é a Santa Casa”, diz a dona de casa Raimunda Fernandes.

É assim em mais de duas mil cidades brasileiras. Em muitas, a Santa Casa é o único hospital que existe. Elas são importantes, mas sofrem com crises constantes.

A Santa Casa de Cuiabá parou de receber novos pacientes. Médicos e funcionários estão em greve desde novembro de 2018 por falta de pagamento dos salários.

A de Rio Grande, no interior do Rio Grande do Sul, também enfrenta dificuldades. “Vamos entrar para o quarto mês de salário atrasado. Então esse é o sentimento, é um sentimento de humilhação”, diz a assistente de contabilidade Mirela Russales.

Lá, o prefeito decretou estado de calamidade na saúde. “Nós estamos na iminência de fechar o hospital, e com isso será um caos para Rio Grande e para 30 municípios que são atendidos na média e alta complexidade”, afirma o presidente da Santa Casa de Rio Grande Dom José Mario Stoeher.

A Santa Casa de São Paulo reduziu o número de unidades de saúde que administrava de 39 para cinco. Demitiu funcionários, contratou auditoria e está modernizando a gestão. Mas, segundo o presidente, ainda deve R$ 380 milhões aos bancos, a juros que chegam a quase 17% ao ano. “Não existe nada mais vigoroso do que o esforço que as filantrópicas estão fazendo para se colocarem à altura da gestão das grandes empresas”, diz Carlos Augusto Meimberg, diretor presidente da Santa Casa.

Nesta quarta-feira (15.Mai), a Santa Casa de Misericórdia de Anápolis divulgou uma nota de esclarecimento. Segue na íntegra

Após reunião com o secretário de Estado da Saúde de Goiás, Ismael Alexandrino, na manhã desta quarta-feira, 15, a diretoria da Santa Casa de Misericórdia de Anápolis prometeu ao Secretário de Saúde que retomará ainda hoje o atendimento no Pronto-Socorro. O convênio com a instituição será assinado até o final desta semana e o valor do repasse pode variar de R$ 500 a R$ 600 mil reais mensais.
É importante ressaltar que sempre foi de interesse da atual gestão do Estado providenciar essa contratualização, visto que a portaria que previa os repasses venceu em novembro do ano passado, ainda na antiga administração.

Comunicação Setorial da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás

*Com informações do Portal G1

Anúncio
Clique para Comentar

Deixe seu comentário

Saúde

Pesquisa da USP descobre como vírus deixa Leishmaniose mais agressiva

Publicado

em

Por

uma pesquisa desenvolvida pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) mostrou como um determinado vírus faz com que a leishmania – protozoário causador da leishmaniose – torne-se mais agressiva aos humanos. A leishmaniose tegumentar, transmitida ao ser humano pela picada das fêmeas do mosquito palha, causa lesões localizadas na pele. No entanto, em casos mais graves, quando há a disseminação das feridas, as lesões passam a aparecer também nas mucosas, frequentemente no nariz, boca e garganta, podendo desfigurar o rosto do paciente. Neste estágio, conhecido como o da leishmaniose mucocutânea, a doença pode se tornar letal.

Os pesquisadores já tinham conhecimento de que leishmania, quando infectada com o vírus LRV (Leishmania RNA virus), era capaz de desenvolver os casos mais graves da doença. A pesquisa da USP mostrou agora como o vírus possibilita ao protozoário se desenvolver de forma agressiva.

“Quando a leishmania infecta as pessoas fica uma queda de braço. Ela querendo sobreviver e nosso sistema imunológico tentando eliminar o parasita. Mas, quando a leishmania tem o vírus, ele’ desliga’ alguns dos mecanismos do nosso sistema imunológico que combatem o parasita”, destaca o autor da pesquisa, Renan Carvalho, cientista do Departamento de Biologia Celular e Molecular e Bioagentes Patogênicos da FMRP-USP.

De acordo com a pesquisa, quando a leishmania, infectada com o LRV, invade o corpo humano, o vírus ativa um receptor nas células chamado TLR3, o que faz com que o sistema imunológico comece a produzir a substância interferon do tipo 1. O interferon, por sua vez, induz a autofagia das células humanas, ou seja, o processo de degradação e reciclagem de componentes da célula.

Com isto, as células humanas ficam mais vulneráveis, já que a presença do interferon impede a ação do inflamassoma, um conjunto de proteínas do sistema imunológico que combate a leishmania.

“Como essa proteína que mata a leishmania está sendo silenciada pelo vírus, a leishmania consegue sobreviver melhor, proliferar melhor e causar aquela forma da doença mais grave que é a leishmaniose mucocutânea. O parasita migra para o rosto das pessoas, tanto para a boca quanto para o nariz, e desfigura o rosto do paciente”, destaca Carvalho.

De acordo com o pesquisador, o estudo abre caminho para novas formas de combater a leishmaniose e tratar os pacientes. “A gente propõe que, a partir de agora, o paciente que chegue com suspeita de leshmaniose, ele seja diagnosticado não apenas para ver se tem a leishmania, parasita, mas que seja também feita uma análise molecular para ver se a leishmania possui o vírus”, diz Carvalho.

Segundo o cientista, caso diagnosticado com a leishmania portadora do vírus, o paciente deverá receber, além do tratamento convencional contra a leishmaniose, drogas capazes de combater também a ação do vírus. Essa medicação, no entanto, ainda está em fase de pesquisa.

Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil são registrados anualmente cerca de 21 mil casos de leishmaniose tegumentar. A região Norte apresenta o maior número de casos, seguida das regiões Centro-Oeste e Nordeste.

A pesquisa da Faculdade de Medicina da USP foi realizada no Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID), em Ribeirão Preto (SP), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Continue Lendo

Saúde

Dia D da vacinação contra o sarampo em adultos será neste sábado (30/11)

Publicado

em

Por

Será realizado neste sábado (30/11), das 8h às 17h, o Dia D da segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo. Em Goiás, a ação será feita em cerca de 900 postos de saúde. Nesta etapa, serão distribuídas 93.850 doses da tríplice viral. A meta é vacinar, no mínimo, 95% dos adultos com idade entre 20 a 29 anos.

A gerente de imunização da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), Clarice Carvalho, explicou que a campanha tem o objetivo de manter elevada a cobertura vacinal contra o sarampo, a fim de interromper a circulação do vírus e proteger os grupos mais acometidos pela doença no País. “A prioridade foi para o grupo de 20 a 29 anos de idade, pois o número de casos confirmados nessa faixa etária é expressivo”, disse.

Em Goiás, a população estimada para a campanha corresponde a 128.640 pessoas. Dados preliminares indicam que já foram administradas 5.294 doses no público-alvo. A procura pela vacina no Estado ainda é baixa.

Para esta ação é disponibilizada a vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola. A vacina deve ser utilizada de forma seletiva, de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação, que recomenda duas doses dessa vacina para pessoas de 20 a 29 anos de idade.

No Brasil, este ano, já foram confirmados 11.896 casos de sarampo, com 15 óbitos – 14 no Estado de São Paulo e um em Pernambuco. Seis óbitos ocorreram em menores de 1 ano de idade.

Goiás
Em Goiás, até a semana epidemiológica 47 deste ano, foram notificados 190 casos suspeitos em 50 municípios. Desses 146 foram descartados, 5 confirmados e 39 segue em investigação.

Continue Lendo

Saúde

Campanha Rode Seguro nas Estradas é realizada em Anápolis

Publicado

em

Por

O SEST SENAT irá promover nacionalmente entre os dias 25 a 29 de novembro, das 14h às 18h, a Campanha Rode Seguro nas Estradas. Em Anápolis, os atendimentos nas áreas: odontologia, nutrição, fisioterapia, psicologia, Programa Despoluir, Prevenção de Acidentes serão oferecidos para trabalhadores de empresas de transporte de Cargas, trabalhadores autônomos, vinculados aos sindicatos, federações e associações.

Todos esses serviços serão realizados gratuitamente em empresas de transporte de cargas e também na sede do SEST SENAT Anápolis, localizada na BR 153, Km 128 (Posto Castelo Branco).

Serão promovidos atendimentos de saúde bucal, aulas de alongamento, com foco na prevenção de doenças da coluna e orientação sobre a boa postura corporal. Também haverá informações sobre alimentação saudável e os riscos do uso de álcool e drogas. Projeto Despoluir O programa verifica se as emissões de poluentes estão de acordo com as normas ambientais e orienta os motoristas sobre a necessidade da manutenção preventiva.

Também estão previstas ações socioeducativas do Programa CNT SEST SENAT de Prevenção de Acidentes, com as vans que estão percorrendo o país levando orientações sobre saúde e trânsito seguro aos trabalhadores do transporte.

Rode Seguro Em todo o país, as 149 unidades do SEST SENAT atenderão os motoristas profissionais e darão orientações quanto à segurança na direção, prevenção de acidentes e roubos de cargas. Com o tema Rode Seguro nas Estradas, as equipes das unidades operacionais de todo o país estarão em mais de 250 pontos estratégicos com grande concentração de caminhoneiros.

A ação tem como objetivo, chamar a atenção para a necessidade de um trânsito mais seguro e consciente. Além de trazer um alerta para a importância de os motoristas escolherem sempre as rotas mais seguras a fim de garantir a sua integridade.

O SEST SENAT oferece, rotineiramente, atendimento de saúde nas áreas de odontologia, fisioterapia, psicologia e nutrição, além de centenas de cursos de formação e capacitação profissional, atividades culturais, esportivas e de lazer. Lembramos que todos esses serviços estão disponíveis gratuitamente para os trabalhadores do transporte e seus familiares.

Continue Lendo

Em Alta