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Opinião

Phellipe Coutinho e o futebol de Commodities

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O Brasil é verdadeiramente o país do futebol, são milhares de sonhos que nascem em ruas e peladas de toda cidade brasileira. Nem todos eles se concretizam e tornam em realidade e menos ainda conseguem uma carreira de grande repercussão internacional como o caso do Phellipe Coutinho.

Mesmo com tantos sonhos interrompidos, somos o maior exportador de jogadores para o mundo, com qualidade reconhecida e comprovada, entretanto as cifras que recebemos em relação aos que são acordadas após pouco tempo “gestacional” na Europa e que alcançam acordos estratosféricos muito acima do que foram negociados quando saem dos clubes brasileiros.

Coutinho faz parte deste rol de jogadores que chegaram neste patamar. Desde os 16 anos já era cotado como uma das grandes esperanças do futebol brasileiro para o perpetuar o legado de magia que encanta o mundo com dribles desconcertantes, jogadas impensáveis e o imprevisível que acompanha quando um brasileiro está com a bola nos pés.

Não vamos falar da sua transferência quase bilionária do Liverpool da Inglaterra para o Barcelona da Espanha, isso é notícia mundial pelo talento do jogador ou mesmo pelas cifras que impressionam até mesmo PIB de grandes nações. O que nos interessa, neste ponto, é a sua saída do Vasco da Gama.

O segundo jogador mais caro da história saiu do clube carioca por meros 10 milhões de Euros e agora foi adquirido, 10 anos mais tarde, por 166 milhões. Vamos além disso, mesmo parecendo uma loucura, relacionemos isso ao reflexo da economia brasileira. O futebol nada mais é que um reflexo, em miniatura, da realidade do nosso país e carrega estigmas que norteiam todo nosso sistema de PLAYER Global.

Não vamos resgatar também de complexo de vira-lata, imortalizada no futebol e na economia brasileira nas palavras do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues. O Brasil não se sente inferiorizado em relação ao mundo à fora, mas sim vende mal dentro da sua cadeia de produção, sem agregar valores em sua fase de extração e lapidação dos seus bens preciosos.

Tratamos jogadores de futebol da mesma maneira que Commodities, matérias primas básicas para produção de outros bens de consumo de maior valor para o consumidor. Não é segredo para ninguém que a economia brasileira se baseia nesta relação, por mais que estejamos entre as 10 maiores economias mundiais, não avançamos muito dos ciclos de monoculturas que dominou nossa história do império até o Estado Novo.

Hoje em dia, infelizmente, somente expandimos nossas monoculturas. Da soja ao petróleo apenas trabalhamos com o básico: produzir e vender sem investir na tecnologia para explorar, mais e melhor, a terra onde tudo que se planta, nasce. No futebol, essa relação não é diferente. Plantamos, vemos nascer e vendemos à preços de Commodities (para não dizer preço de banana) para manter um ciclo de má gestão administrativa e cultura de consumo elevada.

A necessidade de venda de jogadores para o exterior para manter as contas equilibradas acaba transformando os clubes do país a mero produtores de “pé de obra” internacionais e que somente ganham valor se destacando em clubes, principalmente da Europa, em grandes ligas com contratos monstruosos de veiculação televisivas de ordem mundial.

Oras, me diga lá o que é mais difícil e que demanda mais tempo: descobrir, formar, lapidar jogadores de talento ou dar visibilidade ao talento em uma grande marca? Passou do tempo de invertermos essa Supply Chain, investindo não somente na produção, mas sim no desenvolvimento técnico, tático e administrativo do futebol brasileiro como um todo para que tenhamos mais valores de Coutinho no Barcelona e menos Coutinho saindo do Vasco.

Para tal, é imprescindível que mudemos nosso costume e cultura de futebol. Os clubes brasileiros precisam aprender a gerir positivamente seus times desde as contratações (utilizando as diversas ferramentas tecnológicas para diminuir os erros de análise), modernizar os contratos e diminuir custos, principalmente em suas folhas de pagamento, para que consigamos oportunizar a esses craques do futuro possibilidade para que eles aumentem seu valor de mercado aqui no futebol nacional, mudando seu status de mera commodities para artigos de grife internacional.

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Opinião

Moda e Beleza por Armando Gadelha

O publicitário e fotógrafo Rafael Vilela, comemora mais uma primavera

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Opinião

Sinalização digital chega às igrejas

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A sinalização digital invadiu aeroportos, lojas, o transporte público e agora está chegando às igrejas. Esse conceito de comunicação, adaptado a rotina eclesial, traz um tom moderno as entradas de templos religiosos e secretarias, além de facilitar a divulgação de informações. O espaço pode ser aproveitado também para veicular mensagens de reflexão.

Digital Signage” ou sinalização digital é uma ferramenta de comunicação moderna altamente eficaz que utiliza displays digitais para a exibição de mídia informativa ou promocional em qualquer estabelecimento, especialmente em locais de entretenimento ou espera forçada, como, lotéricas, universidades, supermercados, restaurantes, academias, postos de combustíveis, shoppings, clínicas, entre outros.

Diferente de um canal de televisão que comunica uma variedade de informações ao máximo de pessoas, a sinalização digital é feita e transmitida para um público restrito com um foco mais dirigido, diretamente no seu ‘ponto de consumo’. É de interesse desse público dar atenção ao que está sendo exibido, seja para conferir o horário de atendimento ou a promoção do dia.

As vantagens de utilizar essa tecnologia dentro das igrejas podem ser inúmeras, como, a redução de custos com impressão de folhetos informativos, substituir o mural de avisos por algo que seja mais atrativo, atualização em tempo real. Além de ser comprovado um dos formatos de comunicação mais eficazes, e muito mais.


por Eduardo Brandão
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Desafios da comunicação na ‘Era Fake News’

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O século XXI trouxe inúmeras mudanças para a nossa sociedade, dentre elas, na comunicação que, com certeza, é uma das mais significativas. Com a popularização da internet chegamos à era digital, onde as notícias são espalhadas em um prazo mínimo de tempo, podendo viralizar em segundos e sem muitas vezes ter sido checada à veracidade dos fatos.

Um dos maiores desafios do jornalista na nossa sociedade atual é o combate às famosas Fake News, que tem se intensificado ao longo dos anos e ficou ainda mais forte durante desde as eleições presidenciais no Brasil em 2018. Essas ‘notícias’ falsas podem estar no facebook, no instagram ou no twitter, mas na grande maioria das vezes elas viralizam no whatsapp.

Se você é alguém que não checa a veracidade dos fatos antes de compartilhar, provavelmente você já propagou uma Fake News, muitas vezes sem ter consciência disso. Isso acontece porque as pessoas tendem a acreditar mais facilmente em informações que condizem com o seu modo de pensar, o que explica também o porquê essa ‘onda’ cresceu tanto durante as eleições.

A era digital trouxe incontáveis benefícios á população, mas como tudo tem seu lado negativo, com essas mudanças, hoje qualquer pessoa com seu celular pode criar uma notícia falsa em benefício de si mesmo e viralizar nas mídias sociais, uma vez que cai na rede dificilmente ela poderá ser desmentida. É como diria a frase do ministro de propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

A internet deu a pessoas comuns o poder de divulgar informações de maneira amadora, mas não foi apenas isso que afetou as bases do jornalismo. Desde 2009 o diploma acadêmico não é mais uma obrigatoriedade da profissão, o que resulta em pessoas despreparadas no mercado de trabalho principalmente para lidar com os desafios da comunicação.

Vivendo em um momento em que qualquer um pode divulgar informações, o papel do jornalista com formação acadêmica se tornou ainda mais importante, pois, é ele quem investiga, questiona, apura, luta para acabar com essa onda de Fake News e levar a população notícias de confiança. Isso não quer dizer que todo jornalista com diploma vai ter total comprometimento com o interesse público, mas é preciso que haja o mínimo de preparação para atuar em uma área tão importante.

Esses conteúdos noticiosos de origem falsa que são espalhados, não são como uma ‘barrigada’, um erro de apuração por parte de quem divulgou. Quem cria essas ‘noticias’ e jogam nas redes fazem isso com o propósito de propagar um fato falso muitas vezes em beneficio de si próprio.

Portanto, em tempos como esse, é necessário desconfiar de qualquer notícia que se recebe nas redes sociais, em especial no whatsapp. Por mais verdadeira que pareça, por mais que você tenha recebido da sua amiga mais confiável, antes de pensar em compartilhar verifique se de fato a noticia é verídica. Mesmo se você acredita que essas informações possam ajudar alguém ou que seja algo em que você queira acreditar, busque em fontes jornalísticas de confiança primeiro. Propagar uma notícia falsa pode trazer sérios danos, é preciso ser criterioso com o que divulgamos.

Evite repassar informações sem checar a veracidade, uma boa maneira de verificar se um fato é verdadeiro, é procurar uma mesma notícia em diferentes veículos de comunicação que sejam de confiança e que tenha credibilidade, se, por exemplo, diferentes grandes sites estão noticiando o mesmo fato, as chances de ser verídico são maiores. Desconfie sempre de notícias com títulos sensacionalistas para chamar a atenção do receptor, nem sempre é ‘tudo isso’ mesmo.

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