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Educação

Centro Cultural Oscar Niemeyer recebe doação de livros didáticos dos séculos XIX e XX

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Como maneira de preservar as memórias sobre as formas de ensino e aprendizagem nos séculos XIX e XX, o pesquisador Bento Alves Araújo Jayme Fleury Curado, que é Doutor em Geografia e Mestre em Letras e Linguística, desenvolveu o projeto “Memória literária da infância em Goiás”, reunindo mais de vinte obras que eram utilizadas pelas escolas e pelas famílias na alfabetização das crianças goianas. Todos os exemplares foram doados à Biblioteca Infantil do Centro Cultural Oscar Niemeyer.

Os exemplares reunidos pelo pesquisador foram publicados entre 1871 e 1989. Entre eles estão produções raríssimas de escritores goianos como um exemplar manuscrito do jornal “O Baumann”, de 1907, de autoria de Maria Paula Fleury Curado, considerada pioneira na literatura feminina em Goiás, destacando-se por suas publicações Sombras, Nós e Elas, Suave Caminho, Realidade e Sonho e Velha Casa. “O Baumann” é uma homenagem à chácara onde a escritora morava na Cidade de Goiás.

Entre as obras goianas doadas também está um exemplar do jornal “O Lar” desenvolvido por mulheres da Cidade de Goiás, entre elas Oscarlina Alves Pinto e Floracy Artiaga, entre 1929 e 1930 com o objetivo de promover as vozes femininas entre os circuitos intelectuais da cidade.

A Biblioteca Infantil do CCON também recebeu diversos exemplares de obras que eram adotadas como fonte de ensino em escolas modelo de diversas capitais brasileiras. “Prosodia e Orthografia”, publicada em 1871, era utilizada para o ensino da gramática portuguesa para alunos do 1º ano. “Chorographia do Brasil”, publicada em 1922, era um manual sobre o país e continha informações sobre a vegetação, território, aspectos políticos, culturais e religiosos, clima e população.

Ainda integram o acervo obras literárias ficcionais como “As Meninas Exemplares”, de 1959, escrita pela Condessa de Ségur, que conta às aventuras e rebeldias de três amigas e livros que tinham como objetivo a exaltação do nacionalismo brasileiro como Brasileirinho (1947) de Ofélia e Narbal Fontes.

Thiago Pitaluga, responsável pela Biblioteca Infantil do CCON, explica que o material recebido será digitalizado como forma de preservar a memória literária da infância em Goiás e disponibilizado on-line, podendo servir como fonte de pesquisa para estudiosos de áreas diversas.

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Educação

Inscritos no ENADE já podem acessar o sistema para conhecer o local de prova

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Os inscritos no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2019 já podem acessar o Sistema Enade para consultar local e horário das provas que acontece neste domingo (24. Nov).

Ao acessar o Sistema Enade – basta digitar o CPF e a senha cadastrada no primeiro acesso –, o estudante tem acesso a informações sobre o local de prova, horários e atendimentos (caso tenham sido solicitados e aprovados). Para visualizar o cartão, os 434.859 inscritos devem preencher o Questionário do Estudante, disponível na internet.

Obrigatório – O Questionário do Estudante é requisito para colação de grau, assim como a participação na prova, e deve ser preenchido até as 23h59 (horário de Brasília) de 21 de novembro por todos os concluintes habilitados a fazer o Enade 2019 e previamente inscritos por suas instituições de educação superior. Os coordenadores de curso também conseguem visualizar um relatório com os locais de prova dos estudantes de seu curso, pelo Sistema Enade.

Exame – As provas do Enade 2019 serão aplicadas em todo o território nacional em 24 de novembro. Na edição deste ano, o exame avaliará os cursos das áreas de ciências agrárias, ciências da saúde e áreas afins; engenharias e arquitetura e urbanismo; e os cursos superiores de tecnologia nas áreas de ambiente e saúde, produção alimentícia, recursos naturais, militar e de segurança.

Enade – O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, componente curricular obrigatório dos cursos de graduação, é composto por uma prova para avaliação de desempenho dos estudantes e um Questionário do Estudante.

De acordo com a legislação, devem ser inscritos no exame os estudantes ingressantes e concluintes dos cursos de graduação avaliados na edição. Apenas os concluintes precisam fazer a prova e preencher o questionário. No histórico escolar do estudante, ficará registrada a situação de regularidade em relação ao Enade, requisito para colação de grau em cursos de graduação.

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Educação

Candidato do Enem têm até esta segunda para pedir reaplicação de prova

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Termina nesta segunda-feira (18. Nov) o prazo para os candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pedirem a reaplicação da prova, caso tenham se sentido prejudicados por problemas logísticos durante o exame.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, estabeleceu situações para permitir a reaplicação: em caso de desastres naturais, que tenham prejudicado a infraestrutura do local de prova, falta de energia que tenha comprometido a iluminação da sala de aplicação e falha de procedimento de aplicação que tenha levado algum prejuízo ao participante.

O pedido de reaplicação deve ser feito na página do participante, no site do Enem. Ainda este mês, sem data definida, o Inep vai informar ao candidato se aceitou ou negou o pedido. Quem vai refazer as provas anote na agenda: 10 e 11 de dezembro, terça e quarta-feira.

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Educação

Negros são maioria nas universidades públicas do Brasil pela primeira vez

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O número de matrículas de estudantes negros e pardos nas universidades e faculdades públicas no Brasil ultrapassou, pela primeira vez, o de brancos. Em 2018, esse grupo passou a representar 50,3% dos estudantes do ensino superior da rede pública, segundo a pesquisa Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, publicada nesta quarta-feira pelo IBGE. Embora representem hoje mais da metade dos estudantes nas universidades federais, esse grupo ainda permanece sub-representado já que corresponde hoje a 55,8% da população brasileira.

O levantamento revela ainda que a população negra e parda está melhorando seus índices educacionais, tanto de acesso como permanência. O abandono escolar diminuiu de 30,8%, em 2016, para 28,8% em 2018. Entre a população preta ou parda de 18 a 24 anos que estudava, o percentual cursando ensino superior aumentou de 50,5%, em 2016, para 55,6% em 2018. Apesar do avanço, o percentual ficou bem abaixo do alcançado pelos brancos na mesma faixa etária, que é de 78,8%.

A melhoria dos índices educacionais dessa parcela da população na rede de ensino é, em parte, reflexo de políticas públicas, como o sistema de cotas, que proporcionaram o acesso e permanências da população preta e parda, segundo o IBGE. A Lei Federal de Cotas, sancionada em 2016, definiu que metade das matrículas nas universidades e institutos federais deveriam atender a critérios de cotas raciais.

Na avaliação do pesquisador Claudio Crespo, do IBGE, a melhora nos indicadores é relevante, mas como a desigualdade é histórica e estrutural, os avanços para a população preta ou parda só acontecem quando há mobilização social e políticas públicas direcionadas. “A intervenção de políticas públicas é um fator essencial para a redução dessa desigualdade. Onde há avanços percebidos, apesar da distâncias que ainda reside, são espaços em que houve intervenção de políticas públicas e também organização do movimento social para a conquista de uma sociedade mais igualitária, como as cotas para acesso ao nível superior”, afirmou à agência Brasil.

Para a mestra em Direito Winnie Bueno, integrante da Rede de Ciberativistas Negras, o avanço do número de matrículas de negros na universidade é importante, mas é preciso pensar também em políticas de permanência para que esses jovens concluam o Ensino Superior. “Há uma série de outros desdobramentos, por políticas de permanência que não são aplicadas. É preciso olhar para esse dado com profundidade ou se chegará à conclusão que alcançamos o objetivo da política de cotas e que está tudo bem. E está bem longe de estar tudo bem”, afirma Bueno.

Tamires Costa com os pais no dia da formatura do curso de psicologia.

Segundo o IBGE, também houve aumento de matrículas de estudantes negros nas universidades privadas, reflexo de programas como o Programa Universidade para Todos (Prouni), que concede bolsas de estudos parciais e integrais a estudantes de baixa renda. O percentual de vagas ocupadas por essa parcela da população nas instituições privadas avançou de 43,2% em 2016 para 46,6% em 2018.

“Achava que a universidade não era para mim”

Recém-formada em psicologia, Tamires Costa, negra, de 25 anos, foi a primeira da família a entrar em uma universidade. Filha de uma mãe analfabeta e de um pai que teve a chance de estudar apenas até a 3ª série, ela sempre recebeu incentivo familiar para prosseguir os estudos após terminar o ensino médio em uma escola pública. “Eu ficava receosa porque achava que a universidade não era para mim. Tinha a sensação que era elitizado, que era só para quem tinha dinheiro”, diz.

Essa desconfiança fez com que Tamires, apesar de ter realizado a prova do Enem, logo que terminou o ensino médio, adiasse a entrada na universidade. Dois anos depois, tentou outra vez a prova e conseguiu uma nota de corte que possibilitou o ingresso dela em uma faculdade privada de São Paulo com uma bolsa do Prouni, que cobria metade da mensalidade do curso de psicologia. A outra metade ela pagava com quase todo o salário que recebia como auxiliar administrativa de uma empresa de pesquisa.

Em 2016, no entanto, Tamires entrou para a fila do desemprego no país. Impossibilitada de pagar a mensalidade, chegou a pensar em deixar o curso. “Foi o maior pesadelo, fiquei um ano desempregada, acumulando uma dívida de 8.000 reais. Mas minha mãe não deixou que eu desistisse e conseguiu pegar um empréstimo para quitar as mensalidades atrasadas. Só assim, consegui finalizar o curso. Foi a maior vitória, ela que nunca teve uma oportunidade como essa foi a pessoa que mais me apoiou”, explica.

Apesar dos números apontarem para uma participação maior dos negros nas salas de aulas das universidades, Tamires, que chegou a participar de um coletivo negro, acredita que o ambiente acadêmico ainda tem um padrão branco. “Não tive nenhuma referência de docentes negros enquanto estava na graduação”, revela. 

Atualmente, a agora psicóloga, é funcionária com carteira assinada de uma editora que produz produtos de psicologia. “Estou muito feliz porque depois de todo o esforço, eu vejo que valeu a pena. No último ano da faculdade, como o futuro é incerto, você fica com muitas dúvidas”. “Quando uma criança negra vê que alguém com cabelo na régua, que veio da favela, que fala e anda do mesmo jeito que ele entrou numa universidade, você está mostrando pra essa criança que ele também pode e deve entrar lá”, disse ao EL PAÍS João da Silva, cuja foto em um ato pela educação no Rio viralizou em maio. Assim como Tamires, João foi o primeiro da família a entrar na universidade.

Os próximos desafios enfrentados por Tamires devem ser dentro do mercado de trabalho. O levantamento publicado nesta quarta-feira revelou que as mulheres pretas ou pardas continuam na base da desigualdade de renda no Brasil. No ano passado, elas receberam, em média, menos da metade dos salários dos homens brancos (44,4%), que ocupam o topo da escala de remuneração no país.

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